O (mau) exemplo da Vicaima quando é preciso reagir a uma situação de crise
A Vicaima é, indiscutivelmente, uma das grandes industrias portuguesas e Álvaro Costa Leite, ainda hoje, o seu carismático líder. O veterano empresário de Vale de Cambra ergueu a partir de uma simples serração um império no sector da madeira (ver www.vicaima.pt).
A empresa é hoje uma multinacional, com presença activa nos mercados internacionais.
Mantendo-se fiel à actividade industrial, mesmo quando lançou-se no sector financeiro (através do banco Finibanco), Álvaro Costa Leite e o seu filho e braço direito, Arlindo Costa Leite, esqueceram esta terça-feira as boas maneiras e a diplomacia que uma situação de crise exigiria e resolveram reagir ao bloqueio das instalações levado a cabo por activistas da Greenpeace com agressões, respectivamente, a um operador de camara da SIC e a um elemento da Quercus.
Foram alguns, poucos, pontapés e lapadas, mas os suficientes para abalar, não tanto as vítimas dos incidentes, mas muito mais a (boa) imagem da empresa que fica manchada neste episódio (ver artigo do site Notícias de Aveiro).
A reacção negativa da Vicaima, levada ao extremo pelos seus maiores responsáveis, não tem justificação, mesmo que os métodos, conhecidos, da Greenpeace sejam, assumidamente, radicais e, no mínimo, controversos.
Tudo se resolveria não com ameaças e violência mas, como aliás percebeu bem, logo pela manhã, um jovem quadro da empresa, através do diálogo e política de portas abertas. Desautorizado pela chegada dos patrões, o director de produção, que tinha sabido ouvir os activistas a quem prestou alguns esclarecimentos dentro da fábrica, viu cair por terra o que parecia ser uma boa tentativa para minimizar os estragos.
Perante o cenário de crise, a administração da Vicaima não soube estar à altura e comprometeu seriamente a mensagem que, a toda a força, tentou transmitir para contrariar as acusações dos ambientalistas relativas à utilização de madeira supostamente proveniente de abates ilegais .
Os jornalistas foram também visados com um tipo de terrorismo verbal que se pensava estar irradiado da vivência democrática, ao serem acusados por darem o palco mediático que a Greenpeace habilmente sabe aproveitar.
Ora, ficarão os senhores administradores da Vicaima da mesma forma desagradados sempre que convocam a imprensa para, através dela, propagandear bons resultados económicos ou grandes negócios ? Nessas alturas, normalmente, é só sorrisos para as fotografias mas também é preciso estar bem preparado para evitar estragar o quadro com comportamentos, no mínimo, lamentáveis.
A Vicaima tem, manifestamente, de investir nas relações públicas se quiser apagar a mancha na opinião pública, talvez começando por pedir desculpa pelos excessos e repreender alguns dos seus funcionários ávidos de agradar ao chefe.
E deixar que o bom exemplo do jovem director de produção evite situações penosas como as que foram vistas esta terça-feira. Caso contrário, o preço a pagar poderá ser demasiado alto, começando logo por ver alguns potenciais clientes lembrarem-se da história ocorrida na hora de comprar uma porta de madeira.
