4/11/2005

Beira-Mar: A grande oportunidade

Nesta altura do campeonato da Superliga de futebol (28 em 34 jornadas cumpridas), o Beira-Mar, último classificado isolado (23 pontos), já terá comprometido muito seriamente a manutenção.
Matematicamente, de facto, ainda é possível a salvação. Desportivamente, consultando o calendário, o cenário é muito mais complicado.
A despromoção, a acontecer, será um revés (desportivo e financeiro) muito grande para um clube como o Beira-Mar que pretendeu nos últimos anos lutar por lugares de relevo no futebol nacional. A cidade também sairá muito prejudicada, por deixar de aparecer ligada à principal competição do futebol português.
A Liga de Honra poderá, no entanto, ser uma grande oportunidade de reformar o Beira-Mar de alto a baixo e preparar o regresso em condições muito mais estáveis. Com um elenco directivo menos desgastado por épocas sucessivas, um plantel necessariamente adaptado (o que não quererá dizer menos competivo) às especificidades da segunda divisão e um novo relacionamento com a Câmara, dona da casa onde o clube joga.
A proprietária do estádio também vai pagar uma factura cara pela muito provável descida. E quererá renegociar com o inquilino que nem sempre tratou bem.
Não poderá é querer cobrar demasiado alto o desaire pelo risco desportivo sempre inerente à alta competição. Nunca será possível garantir que o Beira-Mar não seja despromovido.
Aliás, a autarquia, através da empresa municipal do estádio, também terá a sua quota parte de culpa. Não se admite que uma equipa profissional tenha de pedir, por favor, para treinar no novo recinto onde raramente foi feliz.